As 8 maiores lições que tirei vivendo no exterior

Decidi largar a vida “padrão” para pra viajar, eu me mato de trabalhar e quando eu tenho o suficiente largo tudo de novo e viajo de novo, quando o dinheiro está acabando eu meto a cara no trabalho de novo e assim eu sigo. Nessa história toda coleciono momentos, lugares e pessoas inesquecíveis. Mas o mais importante: cada dia vivendo no exterior é uma nova lição. Dizem que eu mudei muito desde que deixei o Brasil e eu explico o porquê:

 

1. Vivendo no exterior aprendi que dinheiro é SÓ dinheiro

 

 

Vivendo no exterior, levando uma vida num lugar diferente de tudo o que você conhece, você vai perder muito dinheiro. Seja por comprar algo num lugar mais caro e depois descobrir que podia ter pago a metade do preço, seja por levar golpe (já levei 2 morando na Nova Zelândia) ou seja por ter que comprar uma passagem de emergência quando está viajando (no meu caso paguei quase 4 vezes o valor normal de uma passagem para voltar da Camboja para a Nova Zelândia, q-u-a-t-r-o vezes!!!!).

Eu odiava perder dinheiro, porque sempre ganhei com muito suor, e ainda odeio claro. Porém aprendi que dinheiro é só dinheiro, que com 1 ou 2 semanas de trabalho você recupera o prejuízo (vantagens de morar fora, ganhar por hora e receber por semana, você realmente vê o resultado do teu trabalho em dinheiro). E o mais importante: perder dinheiro e ficar no zero te faz dar valor quando ver dinheiro na conta novamente.

 

2. Aprendi a desapegar de bens materiais

 

 

Meu desapego começou com roupas. Quando não se tem uma casa fixa, você precisa ser prático e ter só o necessário na mala. TUDO tem que caber na mala pra facilitar a locomoção. Desapeguei de muita coisa. Estraguei meu iPhone na Ásia e não tinha dinheiro para comprar outro então comprei um Samsung barato e achei que ia morrer sem meu iPhone. Tô viva sem iPhone e muito bem obrigada. Depois dessa mesma viagem quando cheguei na Nova Zelândia vendi minha Gopro porque precisava de dinheiro. Tudo bem, também tô viva sem ela.

 

3. Aprendia a ser grata

 

vivendo no exterior

 

Ao invés de pensar “meu Deus, não tenho dinheiro, não tenho casa, que vida horrível vou voltar pro Brasil” eu aprendi a pensar “meu Deus, como eu sou abençoada! Não tenho dinheiro nem casa, mas tenho amigos maravilhosos que me dão todo o apoio e o sofá pra eu dormir, imagina se não tivesse ninguém?!”

 

4. Aprendi que ninguém é tão alguém que não precise de ninguém

 

 

Sim por mais dependente que você seja, vivendo no exterior você vai precisar das pessoas. Vai precisar de informação na rua, vai precisar de alguma indicação de trabalho. Vai precisar de alguém que te dê dicas e tire tuas dúvidas. Vai precisar da imigração para te dar o visto, vai depender de muitas pessoas para muitas coisas, sempre, lide com isso.

 

5. Aprendi a desenvolver habilidades por necessidade

 

 

Tive que aprender a carregar bandejas cheias de taça de vinho e pratos pesadíssimos quentes queimando minha mão e fingindo que tá tudo bem. Tive que aprender a lidar com o público para ser garçonete e a dobrar lençóis de elástico para trabalhar num hostel. Nesse mesmo emprego tive que aprender a fazer 50 camas em tempo recorde e a ter estômago para limpar vômito de hóspede bêbado.

 

6. Aprendi que todo trabalho é digno e a não me envergonhar disso

 

 

Quem me conhece, sabe que não sou escandalosa, tenho a voz baixa e ainda falo rápido. Pois é, trabalhei  numa loja de sorvete e teve um final de semana que eu tive que ficar do lado de fora  da loja com um freezer gritando na rua “ice cream takeaway for 4 dollars”. Vocês me imaginam fazendo isso? Nem eu me imaginaria. E eu trabalhei feliz, dando valor pra cada hora de trabalho que estaria na minha conta na semana seguinte. Assim como nunca tive vergonha de nenhum trabalho anterior, que muitos consideram “humilhação” ou “subemprego”. Eu estava  bem feliz com o meu subemprego que em 1 semana me paga mais que um escritório no Brasil em 1 mês, obrigada.

 

Leia também: “Subemprego” no exterior e porque vale a pena.

 

7. Aprendi que o ser humano é adaptável

 

 

Minha mãe que o diga. Eu só comia do bom e do melhor, não dormia sem ar condicionado e com NENHUM barulho por menor que fosse. Vivendo no exterior comi muito pão com ovo e macarrão com atum enlatado. Fiquei meses sem um quarto e mais de 9 sem ter um quarto sozinha. Por meses dormi em hostel dividindo quarto com mil pessoas enquanto viajava. Depois disso passei um bom tempo dormindo no sofá dos outros. Antigamente se alguém me acordasse 5 minutos antes do despertador tocar era morte na certa. Só que depois de tudo isso, aprendi a me adaptar á qualquer situação.

 

8. E por fim aprendi que o importante não é ter, é SER e VIVER

 

 

Tudo o que eu tenho de material cabem em duas malas. Mas eu tenho muitas histórias pra contar, muita experiência de vida e alguns mil kilômetros rodados e isso me faz feliz.

Apesar de o nome do meu blog ser “feliz 7 dias por semana” e de tudo que escrevi acima, é claro que não é nada fácil viver essa vida, você já se imaginou indo trabalhar e passar o dia pensando “aonde vou dormir essa noite”? Sem ter um lugar pra chamar de casa por mais de 2 meses? De ter que ficar pulando de sofá em sofá dependendo de amigos para ter um teto? Arrumar tua mochila e se mudar 3 vezes em 1 semana? Ficar batendo de porta em porta de restaurante e café pedindo emprego de garçonete? Trabalhar o dia todo em pé vendendo sorvete e em alguns dias de folga ao invés de descansar trabalhar como garçonete em eventos?

Não, não é fácil, mas uma vez li em algum lugar aí pelo mundo uma frase que dizia “everyone has stories to tell, what are yours?” que significa “todo mundo tem histórias pra contar, quais são as suas?”.

 

 

Pâmela Vicente

Pâmela, aos 20 embarcou pra uma viagem que mudaria sua vida pra sempre. Conheceu o mundo lá fora e não parou mais. Se descobriu. Descobriu que é possível ser feliz 7 dias por semana ainda que a vida seja uma loucura. Quer compartilhar tudo o que vê e vive. Espera que compartilhando, inspire outras pessoas a serem felizes 7 dias por semana.

Website: https://www.instagram.com/pamvicentee/

1 Comentário

  1. Elieti

    Quanto orgulho tenho de voce !!!

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