Morar no exterior com a família – como é?

Morar no exterior não é fácil. O processo de mudança e adaptação muito menos. Agora imagina isso vezes 4? Uma família inteira passando por um processo de mudança drástica na vida. Falei sobre intercâmbio aqui, mas pensa que morar fora é oportunidade pra solteiro? Que nada! Vem conhecer a História da Júlia e saber como é morar no exterior com a família.

Como tudo começou

Morar no exterior com a família, não foi bem uma escolha da Julia. Também não foi um plano da família. Foi uma oportunidade que surgiu de repente. O marido da Julia começou a procurar na internet oportunidade de empregos em outros países. Até aí tudo normal, ele viajava muito pela empresa em que trabalhava e estava sempre ligado nas oportunidades lá fora. Aliás um dos motivos pra ele buscar essa oportunidade no exterior era justamente não precisar mais viajar tanto e ter uma oportunidade de trabalhar em um lugar mais fixo pra poder se dedicar a família.

Mas não é simples assim buscar uma oportunidade de emprego no exterior pela internet. Algumas empresas se interessavam no trabalho dele mas queriam que ele estivesse no país para fazer entrevista. Até que uma empresa da Nova Zelândia aceitou fazer uma entrevista com ele por skype no inicio de março de 2015. Em menos de um mês ele assinou o contrato. E não demorou muito pra ele se mudar pra Nova Zelândia.

Ele foi primeiro porque ganhou da empresa 2 semanas de hotel, além de que ele queria que a família viesse só quando ele encontrasse uma casa pra alugar já que manter todos aqui em um hotel seria inviável financeiramente. E isso também não demorou. Então a Julia teve 1 mês pra se desfazer de toda a vida no Brasil. Vendeu todos os móveis e começou a fazer as despedidas, da família, dos amigos dela e dos amigos dos filhos dela.

 

Como foi o processo de aceitação da mudança para Julia e para seus filhos

Breno na época com 10 anos e Pietro com 6 já estavam acostumados a morar longe da família. Não eram o tipo de criança que tinham os avós e parentes por perto. Sempre tiveram que viajar para estar com a família. Eles ficaram animados com a mudança pra morar em outro país e aprender a falar inglês. Pra tornar o processo de “desapego” material mais fácil, a Julia incentivou os meninos a vender seus brinquedos e eletrônicos, assim eles poderiam guardar esse dinheiro e comprar coisinhas novas na Nova Zelândia.

A Julia conta que quando ela e os meninos chegaram ela sentiu algo muito estranho. Acostumada com uma vida completa no Brasil, viu dentro de um carro tudo o que ela tinha naquele momento, o marido, os filhos, um carro e algumas malas. No início a casa não tinha absolutamente nada. Dormiam em colchão no chão, não tinham TV nem internet. Por isso, esse início foi um tanto quanto assustador pra ela. Começar literalmente do zero, com 2 crianças em casa, sem falar nem uma única plavra em inglês e sem nada pra entreter os meninos. O grande evento do dia deles era ir ao mercado. Como chegaram em junho e no mês de julho tem férias escolares, a Julia preferiu que os meninos começassem a estudar só depois das férias, pra não haver interrupções. Por isso, ficaram os 3 quase 2 meses em casa, o que não foi nada fácil.

 

Como foi a adaptação de morar no exterior com a família

As escolas na Nova Zelândia tem um programa pra crianças imigrantes. Eles podem entrar na escola sem falar inglês. Nesse programa, a professora ajuda as crianças a se desenvolverem, a criar laços com amigos e a falar inglês. Também é incentivado nesse programa compartilhar a cultura de cada criança. Quando a criança está adaptada o suficiente, segue a rotina escolar normal. A Julia conta que seu filho mais novo, o Pietro, sofreu mais com a adaptação. Ele não entendia nem uma palavra em inglês e não conseguia se comunicar com os colegas pra brincar. E os colegas por sua vez começaram a excluir o Pietro porque ele não entendia a língua e as brincadeiras. A sorte é que a professora do Pietro era chilena, então ela conseguia ajudar o Pietro se comunicando em espanhol e assim também se comunicava com a Julia. Ela conta que os primeiros meses são os mais difíceis. Ás vezes as crianças não querem ir pra escola, ficam tristes. Mas isso passa em pouco tempo, conforme vão aprendendo a língua.

Pra Julia esse processo escolar também não foi fácil, afinal ela não falava inglês e era muito difícil se comunicar com as professoras e orientadoras da escola. Também teve dificuldades pra entender os eventos que aconteciam na escola e obrigações e deveres dos pais. O marido da Julia por sua vez, sofreu muito no ambiente de trabalho também. No Brasil, ele era reconhecido, tinha credibilidade. Quando chegou aqui, sem falar inglês muito bem, ninguém conhecia ele e a qualidade do trabalho dele. Ele se sentiu humilhado algumas vezes. Mas isso tudo foi bom pra ele aprender a recomeçar com humildade. Não bastasse tudo isso, ele recebeu a notícia de que teria que ir pra capital da Nova Zelândia trabalhar. O que foi uma grande chateação pra toda a família, porque o principal motivo da mudança, era poderem viver todos juntos. Além disso, o dinheiro estava curto porque construir uma nova vida, uma nova casa, não é barato. Estavam os 4 extremamente estressados com toda aquela nova realidade da família.

Quando tudo começou a melhorar

Aos poucos, todos foram se adaptando á nova realidade. E morar no exterior com a família já não era um desafio tão grande. A Julia conheceu uma brasileira, mãe de um amiguinho do filho dela. Então ela começou a trabalhar com faxina com essa amiga, como fazia um dinheirinho extra, se matriculou numa academia, coisa que ela sentia muita falta. Além disso, ela achou um curso de inglês bem baratinho pra estudar 3 vezes na semana. Pouco tempo depois ela mudou de emprego, começou a trabalhar num café como garçonete. A Julia então começou a ter uma rotina de novo: trabalho, academia, filhos e estudos. O marido dela, ainda tem que trabalhar na capital, mas agora só algumas vezes na semana. Eles agora estão no processo pra conseguir residência no país.

Pontos positivos de morar no exterior com a família, na opinião da Julia

Pra ela, os principais benefícios são: segurança, qualidade de vida e estabilidade. Além de ter hoje seus dois filhos falando inglês fluente.

Quais são as maiores dificuldades de criar os filhos na Nova Zelândia, na opinião da Julia

Na opinião da Julia, distancia da familia e principalmente em datas comemorativas, são as maiores dificulades.

Afinal, vale a pena morar no exterior com a família?

Ela pensa que ainda está no processo e é cedo pra falar se valeu a pena ou se vai ficar na Nova Zelândia pro resto da vida. Mas acha que sempre vale a pena a experiência. Os seus filhos tiveram muitas experiências que no Brasil não teriam. Porém ela ainda se sente uma estrangeira no país, não sente ainda que aqui é o lugar dela. Seus filhos gostam muito de morar aqui apesar de sentirem muita falta da família. Ela não tem planos de voltar pro Brasil e os 4 vivem muitos felizes e adaptados na Nova Zelândia.

 

 

É seu sonho morar no exterior com a família? Inspire-se! Se tiver alguma dúvida sobre a experiência da Julia, deixe nos comentários que eu vou responder com muito prazer 🙂

Pâmela Vicente

Pâmela, aos 20 embarcou pra uma viagem que mudaria sua vida pra sempre. Conheceu o mundo lá fora e não parou mais. Se descobriu. Descobriu que é possível ser feliz 7 dias por semana ainda que a vida seja uma loucura. Quer compartilhar tudo o que vê e vive. Espera que compartilhando, inspire outras pessoas a serem felizes 7 dias por semana.

Website: https://www.instagram.com/pamvicentee/

8 Comentários

  1. Dai

    Julia❣❣❣ Super mãe! Super mulher! Super exemplo!

    • Pâmela Vicente

      Sim <3

    • Julia Jordao Nonato

      Obrigada lindona! 😍😙

    • Julia Jordao Nonato

      Obrigada pelo carinho Pam e Dai!
      Muitos desafios! Vamos que vamos!

  2. Renata

    Muito legal esse post Pam. Parabéns! E parabéns pela trajetória de obstáculos e conquistas da Julia e familia🌷

    • Pâmela Vicente

      Obrigada Renata <3

  3. Silvia Almeida

    Que lindo! Tbm estou na NZ com meu filho e marido. ..a história só muda em alguns detalhes, minha casa ja tinha móveis e falamos inglês para nos comunicar, mas a adaptação leva um tempo e mesmo ainda no inicio estamos amando estar aqui. Fico feliz em saber que ha outras famílias corajosas e engajadas como a minha. Parabéns!!

    • Pâmela Vicente

      Oi Silvia!

      Muito legal, fico feliz que estejam gostando!

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